N. Sri Ram

C. Jinarājadāsa

Nilakanta Sri Ram (1889–1973), quinto Presidente da Sociedade Teosófica entre 1953 e 1973, dedicou-se ao trabalho teosófico como jovem assistente da Dra. Besant. Esteve estreitamente ligado às suas atividades sociais, políticas, educativas, entre outras, e auxiliou-a na edição do New India, jornal diário que influiu na luta pela liberdade da Índia.

Como Presidente viajou e palestrou por todo o mundo. Escreveu extensamente sobre muitos assuntos, lembrando aos membros da Sociedade Teosófica, e a muitos outros, que o teste sobre ser-se uma pessoa religiosa reside na abertura da boa vontade e do amor pelos outros – independentemente das filiações religiosas – e no enfraquecimento do eu individual e das suas preocupações limitadas.

Primeiros Tempos

Sri Ram nasceu numa família teosófica, a 15 de dezembro de 1889, em Akhilandapuram, Tanjavur, Índia. Frequentou a Hindu High School, Madras (agora Chennai), tendo obtido o grau de Bacharel em matemática, na Universidade de Madras. Todavia, não completou o grau de Mestre pois, nessa altura, a Teosofia entrara na sua vida e estava totalmente empenhado no trabalho com a Dra. Besant. Mais tarde, associou-se estreitamente ao trabalho do Dr. Arundale e do Senhor Jinarâjadâsa, para a Sociedade Teosófica. Sri Ram iniciou a sua carreira na Sociedade Teosófica, como docente nas escolas teosóficas fundadas pela Dra. Besant, auxiliando-a, mais tarde, nas suas atividades jornalísticas. Seguiu-se o trabalho para a Home Rule e a Home Rule League. Foi um dos que ajudaram no projeto da Commonwealth of India Bill, apresentado no Parlamento Britânico, nos anos de 1920. Foi escolhido para servir de secretário particular da Dra. Besant, nos anos 1929-33, e, juntamente com o Senhor Jinarâjadâsa, cuidou dela, no período que antecedeu a sua morte. Foi um dos poucos que se encontrava à sua beira, quando ela expirou. A Senhora Besant amava-o como a um filho e num livro que lhe ofereceu, escreveu: "Sri Ram com amor e benção. Permanece firme até ao Fim". Referia-se a ele como "uma fonte abundante de informação exata, ao longo de muita adversidade".

Sri Ram gostava de trabalhar sossegadamente nos bastidores. Embora tivesse desempenhado todos os cargos em Adyar sob os três Presidentes, tendo sido Tesoureiro (1937-39), secretário arquivista (1939-41) e Vice-Presidente da Sociedade (1942-46), era pouco conhecido fora da Índia até cerca de um ano antes de ser eleito Presidente em Fevereiro de 1953. Quando a presidência de C. Jinarâjadâsa se estava a aproximar do fim, nomeou Sri Ram como candidato para o pesado cargo, descrevendo-o como a pessoa mais sábia que conhecia. Pela primeira vez na história da Sociedade um Presidente cessante instala o recém-eleito, passando-lhe a responsabilidade pessoalmente. Na altura em que se tornou Presidente já tinham sido publicados cinco livros de Sri Ram que cobriam todo o campo da Teosofia, expressa em linguagem moderna: Thoughts for Aspirants, The Human Interest, A Theosophist Looks at the World, An Approach to Reality and Man: His Origins and Evolution. O tema subjacente a estes livros é que ‘a verdade central da Teosofia é que existe uma Unidade por detrás de toda a diversidade’.

Presidente da Sociedade Teosófica

Sri Ram era amado pelos membros de todo o mundo, nunca impondo a sua personalidade ou os seus pontos de vista. Em Adyar, trabalhava horas intermináveis, mas sempre disponível para orientar membros e visitantes em questões relacionadas com a gestão, problemas pessoais, ou o extenso campo da Teosofia. Tinha uma perceção rápida do essencial, sobre qualquer assunto em discussão, e expressava o seu ponto de vista, com argúcia e sabedoria. Podia ser firme, mas sempre bondoso e tolerante. As suas respostas espontâneas a perguntas nas convenções e escolas de verão eram um primor de clareza, tato e largueza de compreensão.

Durante a sua presidência, Sri Ram encorajava uma atitude lançada para a frente e aberta para com a Teosofia e o trabalho da Sociedade Teosófica. Dava mais importância aos princípios do que aos detalhes e serviu de ponte entre a antiga ordem e a nova ordem. Paulatinamente, trouxe uma revolução discreta à Sociedade Teosófica – alargando e aprofundando a sua visão, libertando-a dos perigos de cristalização, preparando o solo para a sementeira das sementes do novo ciclo. O conceito de Teosofia e uma compreensão mais profunda de A Doutrina Secreta foram equilibrados pela erudição moderna, particularmente no campo da ciência e da sociologia.

Sri Ram nunca procurou publicidade ou projetou a sua personalidade. Esta qualidade refletiu-se na sua atitude para com a propriedade de Adyar, a qual considerava firmemente ser sobretudo um âsrama, um centro de paz no meio do mundo ruidoso, um foco tranquilo, através do qual as forças da harmonia pudessem irradiar livremente. Atualmente, por causa da utilização de carros e scooters na propriedade e porque está rodeada por habitações, estradas barulhentas e altifalantes, é mais difícil manter a atmosfera de âsrama, o que nos recomenda que façamos ao vivermos uma vida altruísta, dedicada aos ideais e ao trabalho da Sociedade.

A partir de 1946, Sri Ram viajou e palestrou para a Sociedade na Índia, Europa, Inglaterra, EUA, Austrália, Nova Zelândia, bem como na América do Sul e Central e África. Também viajou por toda a Índia, incluindo o atual Paquistão, Bangladesh, Birmânia e Sri Lanka. O que quer que dissesse, dizia-o com grande compreensão e afeto, tanto nas palestras, como nas muitas entrevistas privadas e conversas que tinha com as pessoas. As suas visitas provocavam uma influência profunda e duradoura, porque, por mais racional e intelectualmente convincente que o seu ensinamento fosse, também tocava profundamente os corações dos ouvintes com o seu próprio coração afetuoso e convicção clara dos valores percecionados, através da experiência pessoal. Plasmou nos seus escritos um pano de fundo da sabedoria oriental combinado com uma consciência aguda do pensamento e conhecimento modernos, bem como uma compreensão sensível dos problemas humanos. A sua especial beleza de estilo permitia-lhe veicular ideias profundas de forma lúcida e absorvente. Era um observador sensível e perspicaz do comportamento humano e dos acontecimentos mundiais. Através dos seus escritos e palestras, tocou praticamente em todos os aspetos da vida e atividades – incluindo a ética, comportamento, educação, paz, economia, justiça, ciência, arte e problemas governamentais.

Quando a Dra. Besant morreu, em 1933, a Sociedade Teosófica acabara de passar por um período crítico, talvez o maior de todos. Dizia-se que J. Krishnamurti deixara Adyar, e muitas centenas de membros, incluindo alguns trabalhadores muito ativos e personalidades proeminentes, abandonaram a Sociedade Teosófica. Durante alguns anos, foi fervendo uma crise latente, causada pela tensão entre duas forças distintas – uma a puxar para mais ocultismo e a outra, seguindo o apelo de Krishnamurti, para um esforço para uma fundamental mudança interior que se refletiria em todos os relacionamentos nas situações da vida diária.

O mais notável contributo de Sri Ram para o progresso da Sociedade Teosófica foi conduzi-la habilmente para fora da crise, o que não se verificou numa forma concreta de conflito visível, mas na natureza de uma dicotomia mental. Com sabedoria e delicadeza, Sri Ram dirigiu o pensamento e o interesse dos membros para questões mais profundas, longe da informação oculta e questões periféricas para o trabalho fundamental implicado nos objetivos da Sociedade Teosófica. Foi durante a sua presidência que, pouco a pouco, os membros espalhados pelo mundo começaram a aperceber-se de que a revolta de Krishnamurti não tinha sido um desastre para a Sociedade, mas um acontecimento benéfico.

É motivo de honra para Sri Ram o facto de, nos vinte anos da sua presidência, ele ter mudado toda a ênfase das perspetivas teosóficas. Ao voltar-se para o espírito dos Fundadores, confirmou a importância da total liberdade na investigação da vida espiritual e elevou o nível dessa inquirição de um pequeno horizonte pessoal para um largo âmbito de problemas relacionados com o destino do homem. Durante o tempo que ocupou este cargo, um trabalho importante e necessário foi o ímpeto dado à publicação de livros teosóficos nas línguas regionais. Como a Biblioteca se tinha expandido, foi erguido um novo e elegante edifício na Sede Internacional para albergar a Biblioteca e Centro de Investigação de Adyar. O trabalho da Editora Teosófica também cresceu rapidamente, exigindo a construção de um novo edifício para a Vasanta Press, bem como ser equipada com maquinaria adequada.

Congresso Mundial

Um acontecimento importante, que teve lugar em 1966, foi o Congresso Mundial, em Salzburgo, onde estiveram representadas Secções e Lojas/Ramos de todo o mundo. Sri Ram presidiu a este Congresso e a muitos outros Congressos e Convenções no decurso das suas viajens, sempre conduzindo os membros para as profundezas da Teosofia.

Faleceu a 8 de abril de 1973. O seu mais valioso legado talvez possa ser resumido nas suas próprias palavras:

"De todas as artes existentes, viver exige a mais elevada qualidade de inteligência, sendo a mais exigente. A experiência de viver é, ao fim e ao cabo, a experiência de uma natureza em nós que se expressa como beleza, como amor, como verdade".

Fontes

1. N. Sri Ram Commemorative Issue, The Theosophist, Vol. 94, No.9, June 1973.
2. N. Sri Ram Birth Centenary Commemoration Issue, The Indian Theosophist, Vol. 87, 6 &7, June-July 1990.
3. The Seventy-Fifth Anniversary Book of the Theosophical Society, Josephine Ransom, TPH, 2005.
4. The Handbook of the Indian Section, The Theosophical Society, Indian Bookshop, Varanasi, 2000.

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