Sociedade Teosófica de Portugal
A Sociedade Teosófica de Portugal foi fundada a 5 de setembro de 1921, por autorização de Annie Besant, então Presidente Internacional da Sociedade Teosófica. Desde essa data, e ao longo de mais de um século, tem mantido em Portugal um espaço aberto ao estudo, reflexão e partilha no vasto campo da Teosofia e da ética a ela subjacente.
Um Século de Teosofia em Portugal
A história da Sociedade Teosófica de Portugal começa antes da sua fundação formal. Em 30 de janeiro de 1920, um grupo de pessoas reuniu-se pela primeira vez em Lisboa com o propósito de desenvolver a ideia teosófica em Portugal. À frente desse movimento inicial estavam figuras como o Dr. João Antunes, o Coronel Óscar Garção, o Arquiteto António Rodrigues da Silva Júnior e o Capitão Artur do Nascimento Nunes, entre outros. Nesse mesmo ano constituíram-se os primeiros Ramos: Ísis, Annie Besant, Yeoshua e Osíris.
A fundação
Em janeiro de 1921, o Ramo Ísis lançou a primeira revista teosófica portuguesa, também chamada Ísis, que viria a tornar-se o órgão oficial da futura Secção Nacional. A 8 de julho desse ano, numa reunião convocada pelo Ramo Ísis, à qual acorreram representantes de todos os Ramos então existentes, foi tomada a decisão formal de constituir a Secção Nacional Portuguesa. Nessa mesma sessão elegeu-se uma Comissão Diretiva e decidiu-se enviar um delegado ao Primeiro Congresso Teosófico Mundial, realizado em Paris.
Foi no contexto desse Congresso, que reuniu mais de 1400 delegados de 39 países na Sorbonne, que o Coronel Óscar Garção apresentou à Presidente Mundial, Annie Besant, o pedido de constituição da Sociedade Teosófica de Portugal. Annie Besant emitiu a Carta de Autorização com data de 5 de setembro de 1921. Devido à lentidão das comunicações da época, o documento chegou a Lisboa mais tarde, sendo registado junto do Governo Civil de Lisboa a 28 de novembro de 1921 — data que marca a oficialização da Sociedade perante a lei portuguesa.
O primeiro Secretário-Geral foi o Dr. João Antunes, que exerceu funções de 1921 a março de 1924. Nos primeiros anos, a Sociedade funcionou em instalações cedidas por membros e associações: primeiro na casa particular de Silva Júnior, na Avenida Almirante Reis, que serviu de sede informal desde os primórdios do movimento; depois, em salas cedidas pelo Grémio Técnico Português e, mais tarde, pela Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Estado, na Rua Augusta.
Os primeiros anos e o crescimento
A Sociedade cresceu com notável rapidez. Em dezembro de 1921 contava 99 membros e oito Ramos, todos em Lisboa. Um ano depois, o número de membros subia para 158 e tinham-se constituído novos Ramos — S. Paulo, Hermes e Pitágoras. Em março de 1926, a Sociedade ultrapassava os 300 membros e o Ramo Fraternidade tinha sido fundado no Porto, enquanto o Ramo Koot-Hoomi se estabelecia em Lisboa.
A par do crescimento em Lisboa, a Sociedade empenhou-se em alargar a sua presença pelo país. Em 1925 e 1926 constituíram-se Grupos de Estudo em Canas de Senhorim, Oliveira de Azeméis, Ponte de Lima e Espinho, e fundou-se o Ramo Fraternidade no Porto. Em 1927, a estrutura da Sociedade contava já com onze Ramos em atividade.
Nesse mesmo ano, em setembro de 1927, a Sociedade recebeu a primeira visita de uma figura de relevo do movimento teosófico mundial: o Dr. C. Jinarājadāsa, então Vice-Presidente Internacional da Sociedade Teosófica. Jinarājadāsa pronunciou uma conferência reservada a membros e uma conferência pública, na Sala Portugal da Sociedade de Geografia de Lisboa, sobre o tema "O Idealismo da Teosofia", perante uma assistência que incluía figuras de destaque da diplomacia e da ciência. A visita foi considerada, nas palavras da época, "o ponto mais alto na vida da STP após seis anos da sua fundação".
A sede própria e a consolidação
Durante os primeiros anos, a ausência de uma sede própria foi uma preocupação constante. Em 1922, a Revista Ísis lançou uma subscrição pública para a construção de um edifício destinado à Sociedade — um apelo que gerou entusiasmo inicial mas cujos fundos cresceram lentamente. Só em finais de 1929 a questão ficou resolvida, não pela construção de um edifício próprio, mas pelo arrendamento de uma cave ampla na Rua Passos Manuel, n.º 20, em Lisboa. A inauguração da nova sede realizou-se a 11 de janeiro de 1930, com a presença do antigo Secretário-Geral João Antunes, que discursou sobre a concretização desse anseio coletivo. A Sociedade ali permaneceria durante várias décadas.
A instalação numa sede estável coincidiu com um período de reorganização interna. Nos anos anteriores, a Sociedade atravessara duas crises significativas: a primeira, resultante de um prolongado diferendo sobre os novos Estatutos, que culminou numa assembleia conturbada em junho de 1927 e levou ao afastamento de cerca de 129 sócios; a segunda, em 1929, com a dissolução da Ordem da Estrela do Oriente pelo seu próprio fundador, Krishnamurti, o que afetou membros que a ela estavam ligados por fortes laços de convicção. A Sociedade superou ambos os momentos, saindo deles com uma estrutura mais consolidada e um núcleo de membros mais coeso e comprometido com os ideais teosóficos.
Presença em todo o país
Ao longo das décadas seguintes, a Sociedade foi alargando a sua presença além de Lisboa. No Porto, após o efémero Ramo Fraternidade dos anos 20, o Ramo Dharma foi fundado em maio de 1953 e mantém atividade regular desde então. No Algarve, a presença teosófica remonta ao final de 1927, com o Ramo Leadbeater em Lagos; o Ramo Amor, Verdade e Beleza, reorganizado em 1962, continuou essa presença no sul do país. Em Évora, o Ramo Boa Vontade começou a funcionar em outubro de 1956, sob a presidência da Dr.ª Maria Beatriz Serpa Branco, e recebeu a sua Carta de Fundação a 20 de julho de 1957. Nos Açores, um Grupo de Estudos mantém igualmente a ligação à tradição teosófica.
Esta dispersão geográfica reflete um dos traços fundamentais da organização da Sociedade: a autonomia dos Ramos e Grupos de Estudo, que funcionam como núcleos vivos do movimento, com os seus próprios programas e dinâmicas, em permanente ligação com a sede em Lisboa e com a Sede Internacional em Adyar.
O centenário e a atualidade
Em setembro de 2021, a Sociedade celebrou o seu centenário com um programa de sessões abertas ao público, reunindo membros de Portugal, Espanha e de outras secções internacionais. Foi um momento de balanço e de reafirmação do compromisso com os valores fundadores: fraternidade, liberdade de pensamento e investigação sincera da verdade. A mesma missão que animou os fundadores em 1921 continua a orientar o trabalho da Sociedade hoje — através das suas sessões públicas em Lisboa, dos seus Ramos e Grupos de Estudo em todo o país, e da sua ligação à rede mundial da Sociedade Teosófica.

Órgãos Sociais
Mandato 2025-2029
Direção
Presidente: Carlos Guerra
Vice-Presidente: Isabel Nobre Santos
Tesoureiro: Francisco Simões
Secretário: Henriqueta Monge da Silva
Secretário-adjunto: Maria José Carrapa
1.º Vogal: Ana Maria Coelho de Sousa
2.º Vogal: Francisco Mestre Gonçalves
1.º Suplente: José Luís Franco
2.º Suplente: Maria João Bandeira
Conselho Fiscal
Presidente: Paulo Jorge Nunes Alves
1.º Vogal: Jorge Moreira
2.º Vogal: Maria Alida Rodrigues
1.º Suplente: Ana Margarida Leite de Castro
2.º Suplente: João António Malveiro
Mesa da Assembleia-Geral
Presidente: José António Machado Alves
Vice-Presidente: Maria de Lourdes Simões
Secretário: Helena dos Anjos e Santos
Secretário-adjunto: Júlio Teles Santos
A Sociedade Teosófica no mundo
A Sociedade Teosófica de Portugal é parte de uma rede internacional com presença em mais de 60 países, coordenada a partir da sede mundial em Adyar, Chennai, Índia. Conheça a organização global da qual fazemos parte.


