C. Jinarajadasa

C. Jinarājadāsa

Curuppumullage Jinarājadāsa (1875–1953), quarto Presidente da Sociedade Teosófica, foi educado na Universidade de Cambridge, Inglaterra, e era um excecional linguista, que palestrou fluentemente em várias línguas europeias. Os seus muitos e amplos interesses incluíam religião, filosofia, literatura, arte, ciência e química oculta. Produziu valiosos esboços e notas, durante as investigações clarividentes de Annie Besant e C.W. Leadbeater, quanto à estrutura da matéria. De todos os Presidentes foi ele quem mais viajou e foi grande o seu contributo para a disseminação da Teosofia em muitas partes do mundo.

Primeiros Tempos

Curuppumullage Jinarājadāsa nasceu a 16 de dezembro de 1875, no Ceilão (Sri Lanka), de pais budistas cingaleses. A sua ligação à Teosofia começou com a idade de treze anos, quando conheceu C.W. Leadbeater. Um ano depois acompanhou Leadbeater a Inglaterra, tendo aquele passado a ser seu precetor, bem como do filho do Senhor Sinnett. Em 1889, encontrou-se, pela primeira vez, com Madame Blavatsky. Tornou-se membro da Sociedade Teosófica a 14 de março de 1893, através do Ramo de Londres. Jinarâjadâsa entrou no St John’s College, Cambridge, em 1896 e, passados quatro anos, licenciou-se, com distinção, em Línguas Orientais, tendo também estudado Direito. Então, regressou ao Ceilão, onde se tornou Vice-Reitor (1900-01) do Ananda College em Colombo, fundado por Leadbeater. Em 1902 voltou à Europa para estudar literatura e ciência, na Universidade de Pavia, Itália. Em 1904, foi à América, onde iniciou a sua carreira de conferencista internacional da Sociedade Teosófica, dirigindo-se a públicos dos vários países do mundo, em inglês, francês, italiano, espanhol e português, durante quinze anos. Sendo um amante da arte e da beleza, Jinarâjadâsa promoveu o ideal de beleza na oratória, na escrita, na vida diária e também nas artes e ofícios.

Trabalho para a Sociedade Teosófica

Na Convenção de 1914, em Adyar, Jinarâjadâsa proferiu todas as quatro conferências que foram publicadas no livro Teosofia e Pensamento Moderno. Embora viajasse muito, estava todos os anos de volta a Adyar para proferir uma ou mais das palestras da Convenção, até ao fim da sua vida. Em 1916, casou-se com Dorothy M. Graham, a qual fundou, juntamente com Margaret Cousins, a Associação das Mulheres Indianas.

Foi Vice-Presidente da Sociedade, entre 1921 e 1928, quando a Dra. Besant era Presidente e, posteriormente, Agente Presidencial itinerante. Nos últimos anos de vida da Dra. Besant, cuidou dela com imensa dedicação. Durante os anos de Guerra, viveu em Inglaterra e estabeleceu um importante "Centro" de trabalho, em Londres.

Jinarâjadâsa foi editor da revista The Theosophist, em três ocasiões distintas – durante três meses, em 1917 enquanto a Dra. Besant esteve internada; durante cerca de três anos, entre 1931 e 1933, aquando da sua última doença; e ao longo da sua presidencia da Sociedade, entre 1946 e 1953.

Quando o Dr. Arundale morreu, em 1945, Jinarâjadâsa foi eleito Presidente, cuja pesada função, apesar da sua pouca saúde, ele desempenhou com incessante trabalho para a Sociedade, de cuja história ele possuía um conhecimento único e exaustivo. Como Presidente, ele era o guardião dos Arquivos, possuindo um conhecimento íntimo dos seus preciosos conteúdos.

Como Presidente da Sociedade Teosófica

Como Presidente, durante os anos do pós-guerra, o Irmão Râjâ, como era afetuosamente chamado, tinha grande preocupação com Adyar, como era afetada pela escassez de trabalhadores, pela ocupação militar da fronteira oceânica e consequente tráfico público através da propriedade. Fez o melhor que pôde para libertar Adyar de todos os seus obstáculos e recupará-la para a sua anterior serenidade, enquanto centro do pensamento teosófico e símbolo da unidade da Sociedade, e para preservar o seu caráter internacional.

Em 1949, Jinarâjadâsa fundou a Escola de Sabedoria em Adyar para o estudo aprofundado dos ensinamentos teosóficos dados nos manuais, mas primeiramente porque o estudante conhecedor destas coisas podia, com visão alargada, "sentar-se no centro" do seu próprio ser e "apreciar abertamente" a sua compreensão do mundo dos homens e de suas questões. A Escola também deveria dedicar os seus estudos aos pensamentos dos grandes homens e suas questões, no sentido mais lato através das épocas históricas. As primeiras sessões atraíram estudantes de vários países, o que ainda hoje acontece. Procurou tornar novamente a sede internacional num centro para estudantes, organizando gradualmente a propriedade para esse objetivo.

Jinarâjadâsa apresentava sempre os seus pensamentos com uma perceção clara e delicada dos quadros que as suas palavras iriam criar nas mentes dos seus leitores. A sua mente tinha um forte pendor científico que foi visível no seu mais famoso livro, traduzido em muitas línguas, Princípios Fundamentais de Teosofia, e o seu interesse na Química Oculta, cuja terceira edição reviu, com cuidadoso carinho e publicou em 1951. Escreveu vários livros, alguns deles dedicados especialmente a crianças, com uma qualidade lírica como em I Promise, Release, The Wonder Child, etc.

Amante de Plantas, Animais e Crianças

As plantas florescem no seu próprio habitat e chegam mesmo a ser difíceis de contentar devido às suas exigências. Não abalado por estas considerações, para não mencionar as restrições vexatórias no transporte de plantas do ultramar, o Irmão Râjâ trouxe para Adyar várias centenas de espécies de sementes e plantas de locais distantes – México, Costa Rica, Brasil, Panamá – e a propriedade de Adyar tornou-se um jardim botânico com plantas e árvores raras, autóctones e exóticas. O Irmão Râjâ teceu quanto a isto um comentário característico:

"Existem pequeninas flores silvestres e grandes cultivos de rosas, lírios e lotus. Mas a perfeição da beleza da mais pequena flor silvestre não é inferior à beleza da mais bela rosa."

No ano do Jubileu de Prata da Sociedade Teosófica, o Irmão Râjâ concretizou a sua ideia de plantar rebentos de mogno para formar uma alameda que corresse desde o centro da propriedade com uma planta para cada Secção Nacional. Foi trazida terra dos respetivos países e colocada em covas preparadas para receber as plantas. Esta "Alameda dos Fundadores", que desde então tem sido expandida, é o símbolo de mais de cinquenta países do mundo que vivem unidos num só lugar – Adyar.

Também os animais recebiam a sua quota parte de carinho e simpatia, por parte do Irmão Râjâ. Sentia um fascínio especial por crianças, olhando-as como almas, não como lousas em branco sobre as quais escrever. Numa palestra proferida em vários locais na Europa e na América, deu ideias quanto ao bem estar da criança. Acreditava que o objetivo da educação é proporcionar a concretização do sentido interno da vida. Ao longo da sua carreira, o Irmão Râjâ também salientou a necessidade de se compreender o lugar da mulher no esquema da vida. Escreveu:

"Apesar de tanto as mulheres, como os homens, terem potencialidades iguais, embora de idiossincrasias diferentes, é pelo seu trabalho conjunto que cada um beneficia do outro. Quanto mais a mulher é realmente Mulher, maior é o benefício para cada homem que sente crescer nele novas potencialidades".

De forma simples, nos seus livros e palestras, as mais elevadas verdades eram tornadas claras para nós, por este famoso erudito e filósofo, artista e amante de plantas, animais e crianças, conhecido e reverenciado em todo o mundo como o Irmão Râjâ.

Expoente de Arte e Beleza

O Irmão Râjâ era conhecido como um amante da Beleza e da sua expressão pelo homem – a Arte. A sua apreciação da Arte era multifacetada – exultava com a beleza que se encontrava na literatura, pintura, escultura, arquitetura, dança, teatro e, acima de tudo, na música, que ele considerava superior a todas as artes. Não se cansava de salientar a importância vital do lugar da arte na educação da criança e no crescimento de uma civilização. Um dos seus temas favoritos era a unidade essencial da Arte, Ciência, Religião e Filosofia. Foi Presidente da Associação Internacional de Artes e Ofícios, entre 1923 e 1927.

Como Autor

Jinarâjadâsa foi um dos mais importantes autores teosóficos e as suas obras – em número superior a cinquenta - trataram de uma ampla variedade de questões relativas à religião, ciência, arte, ordem social e educação. Fez um estudo especial das cartas enviadas pelos Mahatmas, nos primórdios da Sociedade, ao Senhor A. P. Sinnett, como também a outros teósofos, tendo publicado dois volumes de Cartas dos Mestres de Sabedoria. A sua série de pequenos livros devocionais, especialmente Em Seu Nome, Flores e Jardins e O Mediador, são uma fonte de inspiração para milhares de leitores.

Jinarâjadâsa dirigiu o Manor Centre em Sydney, a partir de 1934, e foi Diretor da Biblioteca de Adyar durante vários anos. Em 1934, foi-lhe concedida pela Sociedade a medalha T. Subba Row, pelos seus escritos teosóficos. O seu Livro Dourado da Sociedade Teosófica, publicado em 1925, e que traça a história da Sociedade até àquela data, é um tesouro inestimável para os que desejem mergulhar nos primeiros tempos da Sociedade.

Um dos interesses especiais de Jinarâjadâsa foi "O Ritual da Estrela Mística" que delineou em 1917 e que ainda é executado em muitas Lojas e em vários países. Apresenta os ensinamentos essenciais das religiões maiores e a importância do trabalho feito com dedicação altruísta. Esta "Forma de Serviço para Adoração e Consagração", destinada ao público, possui uma especial qualidade elevada, irradiando paz e bençãos para o mundo.

Jinarâjadâsa morreu em junho de 1953, poucos meses depois de ter abandonado a Presidência da Sociedade. Alguns meses antes de morrer escreveu e entregou a um companheiro de trabalho o seguinte epitáfio:

"Ele amou as crianças, o mar,
Beethoven, o Anel de Wagner,
o Coro Hallelujah,
e o seu Evangelho era Ruskin"

Este epitáfio sumariza a natureza do ardente trabalhador que se tornou Presidente, devido à sua grande aspiração de servir. Sempre humilde, impressionou os outros pelas suas múltiplas atividades, a sua dedicação e constante serviço para a Sociedade e o mundo. A gentileza da sua presença e extraordinária amplitude da sua mente tornaram a sua vida verdadeiramente notável.

Fontes

1. The Seventy-Fifth Anniversary Book of the Theosophical Society, Josephine Ransom, TPH, 2005.
2. Jinarâjadâsa Commemorative Issue, The Theosophist, Vol. 74, No. 11, August 1953.
3. ‘A Poet’s Tribute to Mr C. Jinarâjadâsa’, The Theosophist, Vol. 74, No. 12, September 1953.

Voltar à página anterior