Henry Steel Olcott

Annie Besant

Annie Besant (1847–1933), segundo Presidente da Sociedade Teosófica, desde 1907 até 1933, era descrita como uma “Alma de Diamante”, pois eram muitas as facetas brilhantes do seu caráter. Foi, no seu tempo, uma oradora extraordinária, defensora dos direitos do homem, educadora, filantropista e autora com mais de trezentos livros e panfletos publicados.
Também guiou milhares de homens e mulheres por todo o mundo na sua busca espiritual.

Primeiros Tempos

Annie Wood nasceu a 1 de outubro de 1847, tendo frequentado aulas particulares em Inglaterra, Alemanha e França. Era uma cristã devota. Aos vinte anos casou com um sacerdote inglês, o Rev. Frank Besant, Pastor de Sibsey, Lindonshire, com quem teve um filho, Arthur Digby, e uma filha, Mabel. Contudo, o despertar do seu caráter fê-la contestar vários dogmas cristãos. "Não era o desafio da falta de fé", como diria mais tarde Jinarajadasa, "mas antes o desafio de uma natureza altamente espiritual que desejava intensamente não só acreditar mas também compreender". Incapaz de encontrar lógica nas tradições cristãs, deixou a Igreja, em 1872, tornou-se uma livre pensadora e assim arruinou a sua posição social devido à sua paixão pela Verdade. Consequentemente, teve de separar-se do marido e do filho pequeno. Em 1879, matriculou-se na Universidade de Londres, prosseguiu os seus estudos em ciências, mas encontrou aí obstáculos devido aos preconceitos sexistas do tempo.

Filiou-se na Sociedade Nacional Secular, em 1874, e trabalhou nos movimentos radicais de pensamento livre de Charles Bradlaugh, MP. Foi, com ele, co-editora do National Reformer e, entre 1874 e 1888, escreveu muitos livros e panfletos políticos de pensamento livre. Nesta altura, o marido entrou com uma ação em tribunal para lhe retirar a filha pequena, alegando que ela era "inapta", por causa das suas ideias. Esta privação causou-lhe um profundo desgosto. Todavia, quando os filhos cresceram, tornaram-se admiradores devotados da mãe. Foi proeminente no movimento Trabalhista e Socialista, membro da Fabian Society e Social Democratic Federation e exerceu parte ativa no trabalho sindical, no meio dos trabalhadores não qualificados; com Herbert Burrows liderou com sucesso a greve das jovens raparigas vendedoras de fósforos até obter uma conclusão satisfatória.

Encontro com H. P. Blavatsky

Insatisfeita com a abordagem negativa do pensamento livre, a Senhora Besant começou a investigar o espiritualismo, o hipnotismo, etc. Nesta conjuntura, W.T. Stead, editor de The Review of Reviews, enviou-lhe A Doutrina Secreta, de Madame Blavatsky, para ela rever. À medida que ia lendo o livro, foi como se uma visão da verdade há muito perdida eclodisse na sua mente.

Pediu uma entrevista com a autora e toda a sua vida mudou à primeira vista de H.P.B. Abandonou as suas ideias seculares e também, em certa medida, a filosofia socialista, mas a nova luz que recebeu inspirou-a mais firmemente do que nunca para o serviço do mundo. A sua abordagem dos vários males do mundo alterou-se e começou a lidar com a raiz das causas à luz das leis que governam toda a existência.

A Sociedade Teosófica

Annie Besant filiou-se na Sociedade Teosófica a 21 de maio de 1889, foi uma estudante e ajudante dedicada de H.P.B., jurou a sua lealdade ao Presidente-Fundador Coronel H.S. Olcott e à causa teosófica. Tornou-se o expoente mais brilhante da Teosofia, quer como oradora. quer como autora. Em 1893, representou a Sociedade Teosófica, no Parlamento Mundial das Religiões em Chicago.

Na Índia​

Em 1893, desembarcou na Índia, viajou pelo país na companhia de H. S. Olcott e, através da sua magnífica apresentação da filosofia Indiana e da sua patente preferência pessoal pela herança espiritual Indiana, ganhou o apoio dos Brahmans ortodoxos para com a Teosofia. A transformação da vida religiosa na Índia, particularmente entre os hindus, foi uma das maravilhas por ela conseguida. Era uma trabalhadora incansável pela elevação das mulheres e apelava incessantemente a uma mudança radical das condições sociais, embora nunca desejando qualquer modificação do temperamento da mulher indiana, o qual considerava um dos mais espirituais do mundo.

Em breve, reuniu à sua volta um grupo de indianos para trabalhar para a regeneração do país e, em 1898, depois de muito planeamento, fundou a Central Hindu School and College em Benares (agora Varanasi). Alguns anos depois, iniciou a Central Hindu School for Girls. Teósofos do ultramar vieram ajudá-la no trabalho da faculdade, que foi estabelecida com o objetivo de imprimir a glória passada da Índia nas mentes e corações dos estudantes. Um grupo brilhante de trabalhadores reuniu-se à sua volta, nomeadamente o Dr. Bhagavan Das, o seu irmão Govinda Das, Gyanendra Nath Chakravarti, Upendranath Basu, I.N. Gurtu e P.,K. Telang, todos trabalhando de forma gratuita. Mais tarde, a faculdade viria a ser o núcleo da Universidade Hindu e em reconhecimento dos serviços da Senhora Besant à educação na Índia foi-lhe conferido o grau de Doutora em Letras, em 1921.

Como o Lorde Baden-Powell considerava que os indianos eram inaptos para serem escoteiros, fundou o Indian Scout Movement em 1918, em que os rapazes usavam turbantes indianos. Quando Baden-Powell veio à Índia e viu o êxito do movimento criado por Annie Besant, inseriu-o no movimento mundial, passando ela a ser Comissária Honorária Escoteira para a Índia. Em 1932, Baden-Powell enviou-lhe, de Londres, a mais alta distinção escocesa, a medalha de Lobo de Prata.Em 1893, desembarcou na Índia, viajou pelo país na companhia de H. S. Olcott e, através da sua magnífica apresentação da filosofia Indiana e da sua patente preferência pessoal pela herança espiritual Indiana, ganhou o apoio dos Brahmans ortodoxos para com a Teosofia. A transformação da vida religiosa na Índia, particularmente entre os hindus, foi uma das maravilhas por ela conseguida. Era uma trabalhadora incansável pela elevação das mulheres e apelava incessantemente a uma mudança radical das condições sociais, embora nunca desejando qualquer modificação do temperamento da mulher indiana, o qual considerava um dos mais espirituais do mundo.

Segundo Presidente da Sociedade Teosófica

Em 1907, depois da morte do Coronel H. S. Olcott, Annie Besant tornou-se o segundo Presidente Internacional da Sociedade Teosófica, cargo que ocupou até à sua morte, em 1933. A Senhora Besant sempre foi uma grande viajante, tendo visitado, no decurso do seu trabalho teosófico, praticamente todos os países europeus, mais do que uma vez, fazendo várias visitas aos Estados Unidos e Canadá, Austrália e Nova Zelândia. A sua enorme capacidade organizativa serviu para "tornar a Teosofia algo prático", sendo a ação o seu "slogan". Durante a sua presidência, a Sociedade cresceu consideravelmente com a adição de mais de trinta e seis Secções ou Sociedades Nacionais às onze iniciais.

A Dra. Besant continuou a viajar e a proferir conferências por toda a Índia, ocupando-se extensivamente da educação. Ramos da Sociedade Teosófica empreenderam a abertura de escolas, onde quer que pudessem. Também procurou atrair mulheres para o movimento, sempre que possível, porque naquele tempo as mulheres não eram encorajadas a participar na vida pública.

Nos seus magníficos livros apresentava explicações claras dos muitos enigmas da vida e do universo, tais como em Um Estudo sobre a Consciência, o qual é utilizado em algumas universidades como manual de estudo. Outra das suas obras mais relevantes, Cristianismo Esotérico, tem sido considerada um documento histórico e ajudou a reviver o verdadeiro conhecimento do cristianismo. As suas palestras nas convenções teosóficas, sobre as grandes religiões mundiais, foram transpostas para um valioso livro intitulado As Sete Grandes Religiões, onde são apresentados os núcleos dos ensinamentos de cada uma delas. A primeira edição da sua tradução inglesa do Bhagavadgitâ foi publicada em 1905.

A Dra. Besant era uma mística prática, exemplificando na sua vida e em todas as suas ações um sublime idealismo e uma verdadeira consciência religiosa – combinação raramente encontrada. Em 1908, anunciou a formação da Ordem Teosófica de Serviço, cujo objetivo era agrupar membros com o lema "União de todos os que Amam ao Serviço de todos os que Sofrem".

A partir de 1908, a Dra. Besant começou a ampliar a propriedade da sede em Adyar. Com o fim de ligar Adyar mais intimamente ao resto do mundo teosófico, deu início a The Adyar Bulletin, o qual se manteve até 1929. Atualmente, a Adyar Newsletter cumpre uma função idêntica.

Annie Besant e J. Krishnamurti

Uma nova fase da atividade da Dra. Besant teve início quando entrou em contacto com dois notáveis rapazes indianos e declarou que o mais velho, J. Krishnamurti, estava destinado a ser o veículo do "Instrutor Mundial", o Bodhisattva Maitreya. Em 1910, assumiu a guarda de J. Krishnamurti e do irmão e, apesar de grandes dificuldades, lançou-o na sua notável carreira.

A Senhora Besant via o seu papel na vida de Krishnamurti como o de um catalizador: "Amma nunca me disse o que fazer", recordou mais tarde com gratidão Krishnamurti. Ela apenas tentou prepará-lo para uma missão de regeneração mundial. Foi encorajado a encontrar-se com pessoas, a proferir palestras e orientar discussões. A Ordem da Estrela no Oriente foi organizada para pavimentar o caminho, para o trabalho muito especial que ele viria a fazer.

Trabalho Político para a Índia

Em 1913, teve início um novo período na vida de Annie Besant, quando se tornou ativa na política indiana e avançou com a proclamação da Home Rule (Autonomia política), para a Índia. Entrou na política porque viu que a independência da Índia era essencial para que a sua sabedoria antiga se tornasse um farol para todo o mundo. O movimento para a Autonomia, por ela organizado, espalhou-se por toda a Índia. Utilizou todos os seus recursos para trazer para a mesma plataforma comum da All India Home Rule League as duas secções do Congresso Nacional Indiano, que estavam divididas desde 1907.

Mais tarde, foi eleita Presidente do Congresso Nacional Indiano, inspirando os indianos com uma visão dinâmica do futuro da Índia. Dado que o governo britânico apenas suprimia a agitação, mas pouco fazia para remover os motivos de queixa, ela iniciou a Young Men’s Indian Association, em 1914, para os treinar para o serviço público e doou o Gokhale Hall em Madras como centro para o despertar nacional e liberdade de expressão. Também criou dois jornais: The Commonweal, um semanário que se ocupava de questões relativas à reforma nacional; e New India, jornal diário que durante quinze anos foi um instrumento poderoso na promoção da Home Rule e que revolucionou o jornalismo indiano.

Dez meses depois de ter iniciado o seu trabalho político rebentou a Grande Guerra. A Índia foi chamada a fazer grandes sacrifícios, que fez de boa vontade, embora nunca tenha sido proferida uma só palavra por qualquer político britânico sobre a contribuição da Índia. Foi este erro dos políticos britânicos que convenceu a Dra. Besant de que o trabalho político na Índia tinha de prosseguir e não podia ser alterado ou afrouxado, pelo facto de o Império estar em guerra. Em 1917, esteve presa durante três meses, por causa do seu êxito no suscitar o amor pela liberdade no povo indiano. Tomou por lema não só "malhar no ferro enquanto está quente", mas também "aquecê-lo, batendo-lhe". Ensinou os jornalistas indianos a escrever fortes artigos de fundo denunciando a ação do governo, embora sempre dentro da letra da lei. Enquanto Presidente do Congresso Nacional Indiano, fez do cargo um trabalho ativo, ao longo do ano, em vez de apenas lhe presidir durante as reuniões anuais de quatro dias, como era prática anterior.

A vida de Annie Besant foi de uma incrível atividade. Em 1918, dera início ao Madras Parliament, abriu o Madnapalle College (agora em Andhra Pradesh), inaugurou a Adyar Arts League, deu início à Home Rule League em Bombaím, inaugurou o Girls’ College em Benares, fundou a Order of the Brothers of Service, presidiu à Women’s Indian Association em Adyar – que deu origem à All-India Women’s Conference em Poona (agora Pune), em 1927, e a All-Asian Women’s Conference em Lahore, em 1931 – e deu início à Society for the Promotion of National Education (SPNE). Infelizmente, caiu em desgraça com o Congresso Nacional Indiano, devido à sua oposição ao plano de Gandhi de não cooperação e desobediência civil, pois previa o perigo de se instalar o desrespeito pela lei. Embora sentisse profundo respeito por Gandhi como alguém cuja vida era guiada pela verdade e compaixão, quanto a si permanecia do lado dos métodos constitucionais para se conseguir a reforma política. As políticas de Gandhi foram adotadas e o desastre, que ela previra, ocorreu em várias partes da Índia. Embora se tenha tornado impopular e perdido a sua posição de líder político, não deixou de prosseguir com o seu trabalho pela Índia.

Investigações Clarividentes

Aqueles que chegavam a um contacto íntimo com Annie Besant apercebiam-se dos seus poderes espirituais e conhecimento direto de muitos assuntos ocultos. Ela usava certos poderes ióguicos para investigar a natureza dos reinos supra-físicos, tendo vários livros sido escritos sobre este assunto recôndito, em colaboração com o seu colega C.W. Leadbeater. A Química Oculta representa uma notável peça escrita onde descrevem os elementos químicos por eles examinados. A primeira edição foi impressa em 1908, altura em que não parecia possível conciliar as suas observações com o conhecimento científico da estrutura do átomo daquele tempo, mas desenvolvimentos recentes naquele campo vieram sustentá-las. C. Jinarâjadâsa, antigo Presidente da Sociedade Teosófica, publicou, em 1951, uma terceira e ampliada edição da Química Oculta, contendo descrições de 111 átomos, incluindo 14 isótopos e as moléculas de 29 compostos inorgânicos e 22 compostos orgânicos. O físico teórico Dr. Stephen M. Phillips elaborou uma análise detalhada dos estudos de Besant-Leadbeater, em finais dos anos 70, na qual fornece uma explicação lúcida e uma reinterpretação daquelas observações, reconciliando-as com a física atual.

Últimos Dias

A 20 de setembro de 1933 a Dra. Besant deixou o seu corpo físico, em Adyar. A sua presidência abarcou vinte e seis anos cheios de um glorioso serviço dedicado à Sociedade Teosófica e à humanidade, tendo morrido como viveu – uma Alma guerreira. N. Sri Ram, que era seu Secretário, escreveu o seguinte tributo de homenagem:

"A Dra. Besant possuía uma alma fervorosa, generosa e nobre em tudo o que empreendia, em todos os objetivos e em todo o impulso interior. … Sei, por experiência pessoal, como impressionava as pessoas com o extraordinário magnetismo que parecia envolvê-la, a brilhante energia que parecia deixá-la ao fim do dia quase tão fresca como ao início."

Fontes

1. ‘Dr Annie Besant’s Work for Education in India’, N. Sri Ram, The Theosophist, Vol.124, No.1, October 2002.
2. A Short Biography of Annie Besant, C. Jinarâjadâsa, TPH, Adyar, 1996.
3. The Indian Theosophist, Vol.103, No.10, October 2005.
4. ‘Commemoration of Dr Besant’s Birthday’, N. Sri Ram, The Theosophist, Vol.78, No.2, November 1956.
5. Annie Besant, An Autobiography, TPH, Adyar, 1999.

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